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Lobão sobre turnê conjunta com o Sepultura: ‘Eu acho que isso vai ser um marco’

25/11/2016  |   Por:

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Sepultura e Lobão iniciam a turnê conjunta, intitulada “A Chamada”, com show nesta sexta-feira (25), em Belém. A inédita excursão ainda passará em dezembro por Uberlândia (09), Goiânia (10) e Vitória (17). As apresentações terão os artistas tocando seus clássicos com jams inesperadas com direito a duas baterias no palco e revezamento de instrumentos entre bandas. O primeiro e único ensaio aconteceu esta semana em um estúdio na zona sul de São Paulo. Acompanhamos esse encontro e aproveitamos para conversar com o cantor Lobão sobre o projeto.

“A gente tocou aqui um só ensaio e deu uma liga, cara, a força que saiu aqui. Eu estava preocupado por ter muitos instrumentos, de querer embolar e você vê que saiu assim na hora. Tanto o meu repertório, quanto o do Sepultura foi maravilhoso. Foi uma experiência musical muito intensa. E eu acho que isso vai ser um marco, cara. Serão quatro shows, mas vai ser uma coisa antes e depois desse show”, contou Lobão entusiasmado.

Apesar da expectativa entre os músicos para a turnê, a junção houve muitas críticas do público, especialmente dos fãs do Sepultura. “Para quem está torcendo o nariz, vai ter que rever seus conceitos, porque é um pré-conceito. Porque musicalmente é uma coisa fortíssima. Coisa que não só aqui, mas em qualquer lugar do mundo, esse som que a gente está fazendo vai causar um impacto muito grande, porque é uma coisa musicalmente rica. É muito difícil hoje você ver músicos excelentes, músicas excelentes, letras excelentes, performances. Quando eu falo performance você coloca isso tudo junto tocando e fazendo sentido”, debateu o cantor.

Lobão não se preocupa com as críticas e enxerga o projeto como “dar um sacode nas pessoas e mostrar que a gente tem que ter uma atitude”. Segundo o artista, sempre houve rejeição desde a época que tocou no Rock in Rio 2, em 1991, antes mesmo de expor sua posição política: “Tem essa coisa da rejeição desde a época do Rock in Rio, acham que eu sou um cara contaminado ou sei lá o quê. Porque poderiam aventar uma possibilidade de rejeição só por causa da minha postura política e isso não se substancia nesse fato porque eu já levei lata no Rock in Rio e não tinha muita história política naquele momento. Então acho que não é por aí”.

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A ideia de “A Chamada” é uma forma de “fazer as pessoas pensarem”, disse o cantor. E completou: “Estamos em um marasmo muito grande no Brasil. Uma pobreza musical e essa junção é maravilhosa”. Para ele, a tradição do rock brasileiro não deu uma sequência: “No Brasil, hoje tem nomes, mas não tem mais uma cena como tinha nos anos 80. A gente tinha imprensa, tinha rádio, tinha produção musical. No Brasil, por incrível que pareça, o rock parece uma coisa de velho”.

“Eu tenho uma teoria de que o rock só vinga em países civilizados. Tem rock no Japão, na Coreia do Sul, até na Argentina tem rock. E quando você vai a Cuba, não tem rock, você vai no Brasil não tem rock, porque tem muito comunistas, esquerdas, então não dá. Você tem que entender que o rock é uma medida civilizacional. Quando ele começa florescer em um lugar é porque nós estamos começando a entrar no primeiro mundo. Então a gente tem que entrar no primeiro mundo, a gente não pode virar essa província de arraial de terror que é o Brasil com 60 mil mortes por ano e as pessoas sorrindo, e a manifestação musical sem representação”, criticou.

O Sepultura e Lobão se conheceram no Rock in Rio em 1991 quando tocaram no festival. Lobão não conseguiu fazer seu show por conta da plateia fervorosa de fãs do Judas Priest e Megadeth. Na época, o artista levava ao palco uma bateria de escola de samba. Mesmo depois de 25 anos, o músico prefere evitar festivais com atrações internacionais.

Perguntamos se existia a possibilidade desse projeto ir ao Rock in Rio se houvesse algum convite: “Não sei, cara, porque eu cansei de show internacional, entendeu. Esses shows não são ao nosso favor. Eu não consigo ver um artista brasileiro se dando bem. O único que tenha se dado realmente bem talvez tenha sido eu no Hollywood Rock no ano anterior do Rock in Rio, o único show considerado o melhor dentro dos nacionais para a imprensa internacional”.

E completou: “Agora também quando a gente atingir um grau civilizacional aqui no Brasil podem me chamar, eu estarei pronto, porque a gente está lutando constantemente para que o Brasil se torne um pouco mais civilizado. Então, quando chegar esse ponto podem me chamar”.