Seu Jorge fala sobre importância de Chico Science em sua carreira

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Foto: Marcos Chapeleta

O cantor Seu Jorge acaba de lançar seu novo álbum “Músicas Para Churrasco Vol. II”, segundo disco da série de três. O trabalho conta com 10 faixas produzidas pelo artista em parceria com Mário Caldato Jr., conhecido como o produtor dos Beastie Boys. Em coletiva à imprensa, Seu Jorge comentou sobre suas influências musicais. Em casa, costuma ouvir jazz, samba e bossa nova, como de João Gilberto. No disco atual, falou que em algumas músicas teve inspiração de Marvin Gaye e o comparou com nomes como Beethoven e Mozart: “Esse negrote é muito forte em mim. Ele, Bob Marley e Michael Jackson são pessoas que vão continuar aí presentes, como o Beethoven, Vivaldi e Mozart”.

O site Ligado à Música quis saber sobre o amadurecimento de seu som, que começou nos anos 90 com o grupo Farofa Carioca. O músico disse que investe todo seu dinheiro em música. Uma das “melhores aquisições” foi há um ano se referindo às colaborações de Miguel Atwood-Ferguson, arranjador norte-americano: “Ele foi o maior artesão, traz umas melodias incríveis. Ele faz alguns arranjos de cordas, no “Tá em Tempo”, por exemplo. Ele parece [o guitarrista] Curtis Mayfield em algumas horas, quando fecha algumas ideias. Esse cara foi uma aquisição maravilhosa”.

Um artista que foi fundamental na formação musical de Seu Jorge foi o Chico Science. O cantor revelou que a princípio não se interessou pela música do artista pernambucano até ver um show no Circo Voador: “Um dia, eu estava no estúdio do Marcelo D2, assistindo a banda, era uma gravação de uma demo [do Planet Hemp]. Aí o D2 falou ‘tem show da Nação [Zumbi] no Circo, vamos todo mundo’. Fui eu também. O Pato Fu abriu o show, me lembro como se fosse duas horas atrás. Quando começou o show da Nação, o cara entrou cantando ‘Eu vim com a Nação Zumbi’ e pum pum pum (imitando com a boca os tambores). Depois disso eu fui parar atrás da mesa de som. Aí eu falei comigo: ‘como eu sou um idiota, como sou um imbecil. Esses caras são a melhor coisa do mundo’”.

Depois disso, Jorge viu uma entrevista de Chico dizendo que era preciso “conhecer e acreditar no seu regionalismo”. Neste momento então nasceu o Farofa Carioca: “Eu me perguntei: ‘qual é o meu regionalismo? O meu regionalismo é o samba. Eu nasci com o Bezerra da Silva, eu nasci com o Martinho da Vila, esse é o meu regionalismo’. Então nasceu o Farofa Carioca nessa ideia, do cavaquinho, do tantã, do pandeiro”.

Seu Jorge ainda falou que ficou impressionado com a performance de Chico no palco: “Eu vi o cara com um tambor, de caboclo de lança, que eu nunca tinha visto. Quando eu vi aquela imagem, eu falei: ‘o que é isso? O cara tá fazendo um teatro na minha frente, bicho. O cara está misturando as artes, tá bagunçando geral!’. Quem viu a Nação Zumbi com Chico Science sabia que aquele homem era sério, ele era um líder”. E concluiu: “Se aquela cabeça estivesse viva hoje, ele não estava mais aqui, a música dele não estava mais aqui, não pertencia mais a nós, com certeza. Porque ele era plural, ele falava com todo mundo”.

Atualmente o músico vive em Los Angeles, Estados Unidos. Os principais motivos de sua ida aos Estados Unidos foram pelas oportunidades como ator e a educação que o país oferece: “Todos nós sabemos que os Estados Unidos é um dos mais importantes [países] para se estudar. Meus filhos se adaptaram muito rápido a isso e eu também, lógico”. Recentemente, ele participou de um filme sobre a vida do ex-jogador Pelé: “O filme deve sair esse ano. Eu faço o Dondinho [pai do Pelé]”.